MINOTAURO
 
   

INTRODUÇÃO

 
 Teseu, o herói desta história, fora educado no palácio real da velha cidade de Trezena por seu sábio avô, o rei Piteus, onde vivia com sua mãe, Ethra. O seu pai, o rei Egeu, vivia em Atenas, na Ática, que governava, e que não podia abandonar, pois um monarca deve olhar sempre pelo seu povo. Enquanto crescia, Teseu perguntava frequentemente por seu pai, que nunca vira, e que muito desejava conhecer. Sua mãe, no entanto, não o deixava partir e dizer ao rei Egeu quem era – seu maior anseio –, por ele não ser ainda suficientemente forte e crescido para uma tal jornada. Todos os dias Teseu perguntava a sua mãe quando poderia partir, menino ainda que era. Um dia ela disse-lhe que quando ele fosse capaz de levantar a pedra onde estavam sentados, conversando, consentiria em deixá-lo partir para Atenas para dizer ao rei Egeu que era o seu filho. Era a tarefa de um gigante. No entanto, dia após dia ele tentou, até que, passados anos, chegou o momento esperado. A enorme rocha cedeu ante os esforços de Teseu. Ethra ficou muito triste por ver que tinha chegado a hora de se separar do seu filho muito querido, mas percebendo que nada mais podia fazer, mostrou-lhe uma espada com um punho de ouro e um par de sandálias, que o rei Egeu tinha deixado para ele debaixo da pedra, quando a levantou com os seus poderosos braços e a repôs no local de onde agora Teseu a retirava. No longo caminho até Atenas, que percorreu com as sandálias de seu pai, Teseu viveu muitas aventuras. Muitos foram os salteadores e os bandidos que com a espada de seu pai derrotou sem piedade, de tal maneira que a fama da sua nobreza e coragem chegaram até Atenas antes dele. Aí, os sobrinhos do rei, com medo que este o preferisse, esquecendo-se deles, preparam-lhe uma armadilha, apresentando-o como um traidor que vinha para o matar. O rei, encolerizado por tamanha afronta, ordenou que o prendessem e o matassem, embora sentisse, olhando nos seus olhos, algo muito estranho. Parecia saber que aquele homem era bom e justo, mas não percebia o que sentia. Apenas no último instante, olhando a sua própria espada, reconheceu o seu filho, que abraçou, mandando embora para sempre os verdadeiros traidores. Desde então, os dois governaram Atenas felizes e Teseu era conhecido por todos pela sua coragem e nobreza. Uma vez mais, porém, tudo se precipitou. Na ilha de Creta havia um horrível monstro, chamado minotauro, com as formas em parte de um homem e em parte de um toiro. O rei Minos, que governava a ilha, gastara uma grande quantidade de dinheiro na construção de uma habitação para o horrível monstro. Alguns anos antes os atenienses tinham entrado em guerra com Creta e foram derrotados. A paz só foi concedida com uma condição: o envio anual de sete jovens e sete virgens para serem devorados pelo monstro favorito do cruel rei Minos. Teseu, ao saber desta terrível história, ofereceu-se para ir como um dos sete jovens desse ano. «É exactamente por ser um príncipe – disse ele ao pai – e o legítimo herdeiro do teu reino, que livremente tomo sobre mim as calamidades dos teus súbditos.» Deixando seu pai muito triste foi para Creta para ser devorado pelo minotauro. A sua atitude e coragem, no entanto, diferenciavam-no dos restantes jovens, o que não passou despercebido a Ariadne, filha do rei de Creta, que já não conseguia suportar a crueldade do pai. De noite, enquanto esperavam a aurora em que seriam sacrificados, os pobres atenienses choraram e, embalados pelos seus soluços, adormeceram. Apenas Teseu se mantinha altivamente acordado, pensando numa forma de os salvar. Apareceu então a princesa Ariadne, que, abrindo a porta da cela, lhe pediu que fugisse. Mas ele nunca deixaria abandonados os seus companheiros, pelo que convenceu Ariadne a mostrar-lhe o refúgio do minotauro. Os dois percorreram um bosque cerrado até que chegaram a uma porta, único acesso a um escuro labirinto, no meio do qual estava o terrível monstro. O minotauro era fácil de encontrar, apesar do labirinto, pois os seus roucos rugidos indicavam o caminho a seguir. Mas como é que de lá sairia? Ariadne disse-lhe então que segurasse na ponta de um fio de seda, cuja outra extremidade ela seguraria. Assim, se ele sobrevivesse, poderia sair do labirinto. A luta foi longa e feroz e foi apenas no momento em que o minotauro estava prestes a devorá-lo que, de um só golpe, Teseu o matou. Rapidamente, saiu do labirinto e, reunindo os seus companheiros, todos fugiram para Atenas. Ariadne, porém, decidiu ficar junto do seu pai, que, no fundo, amava, na ilha que um dia havia de governar. Durante a viagem de regresso, no entanto, vinham tão felizes e excitados, que Teseu se esqueceu de içar velas brilhantes, e não pretas, sinal de que vencera o minotauro, tal como seu pai lhe pedira, o que fez com que o rei Egeu, do alto de uma montanha onde, todos os dias, esperava avistar o barco regressando, vendo que as velas eram pretas, e não brilhantes, se atirasse com o seu ceptro e a sua coroa para o mar, onde morreu afogado.
   
   
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